12.10.11

wall street (1)

Por estes dias as ruas estão parcialmente vedadas por grades da polícia que impedem aos manifestantes a aproximação à NY Stock Exchange e ao Federal Memorial. Há mais de três semanas que o barulho continua no local onde decidiram fazer o seu acampamento, o seu campo de acção e de guerrilha. As palavras de ordem proferidas pelo megafone, o batuque dos tambores, os gritos compassados tornaram-se na melodia que durante três quarteirões embarca as minhas manhãs a caminho do estúdio. O grupo tem crescido lentamente. Noto-os agora mais organizados, mais decididos; mas igualmente sujos, igualmente tribais e desajustados — numa imagem social que os coloca mais perto de ocupantes anarquistas do que a classe-média que tentam proteger. Um homem mais velho wiches wishes me a good day, sir todos os dias quando passo em frente à turba. Respondo-lhe apenas com um aceno de cabeça, mais educado do que simpático pois reconheço-lhe a ironia, o olhar provocador. De fato e trench-coat encarno o que ele repudia e o seu cartaz promete acabar. Julgamo-nos os dois pelas aparências. Estaremos porventura os dois enganados.